sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Como as pessoas mudam

 

“É impossível que o seu pecado surpreenda Aquele que morreu por causa dele. A cruz também lhe oferece a liberdade de procurar e receber perdão todas as vezes em que falhar. Nós não temos de carregar os pecados que Cristo levou sobre si. Ele pagou o preço que nós não podíamos pagar para que nunca tivéssemos de pagá-lo de novo” — esta é a citação estupenda! E ela nos encoraja, dentro do contexto do livro, a compreender que Deus nos salvou, porém também nos santifica diariamente por meio da mesma cruz! Lindo demais!

Comecei a ler este livro ainda na semana da disciplina de “Aconselhamento em situações de crise”, no Andrew Jumper, em SP. Contudo, por alguma razão que desconheço, não conseguia absorver positivamente, mas, ainda assim, terminei o primeiro capítulo. Isso deve ter mais de mês. Acho que, no primeiro capítulo, tive dificuldade com os “ismos” que ele apresenta, porque, chega um momento, em que tudo parecia meio que a mesma coisa. Por outro lado, pode ser mesmo que eu ainda não estava ali preparado para embarcar nesta leitura. Abandonei a leitura e, quase um mês depois, retornei e, por alguma razão que também desconheço, amei tudo o que li.

O Evangelho é o poder de Deus para a salvação e também para a santificação diária — esta é a tese que nos é recordada pelo autor. Infelizmente, há uma lacuna entre o nosso passado e o nosso futuro daquilo que entendemos como nossa vida cristã. No cap. 1, os autores irão abordar essa lacuna que temos quanto ao evangelho: sabemos que Deus nos perdoou do nosso passado e sabemos que teremos o céu como morada um dia, contudo, não compreendemos como a graça tem poder em nossas vidas no presente. E é sobre essa lacuna, então, que trata o livro.

Exatamente porque não sabemos da graça presente, tentamos suprir nossas vidas com coisas que não são Cristo. Mas é Cristo que é suficiente para mim agora e sempre! Se Jesus é suficiente, e ele é, então por que corremos atrás de falsas esperanças? É sobre isso o capítulo 2. Um dos pontos que os autores tratarão no cap. 3 é que devemos ter sempre o foco de aonde Deus está nos levando: o céu. Esta certeza deve mudar a minha relação pessoal com Cristo e com as pessoas ao meu redor. Se estamos casados com Cristo, então o que importa é a nossa fidelidade e pureza espiritual. E esta é a nossa identidade! Este é o assunto do cap. 4.

No cap. 5, os autores enfatizam que fomos salvos, fomos adotados para vivermos numa família. Somos desafiados a ser moldados uns pelos outros no Corpo de Cristo. Precisamos usar nossos dons em associação.

Nada substitui a Jesus. Contudo, sem perceber, o nosso ativismo religioso termina por ser um fim em si mesmo. Fomos adotados para termos intimidade com nosso noivo e crescermos em conhecimento dele. No capítulo 6, os autores dão um roteiro de autoconfrontação para o leitor, mas que também serve, obviamente, para aconselharmos a outros biblicamente.

No cap 7, é um “estudo de caso”. Como eu e vc reagimos aos problemas, ao “calor” da situação? Os autores apresentam Salmo 88 e Tiago 1 para não esquecermos que Deus nos ama em Cristo em toda situação. Por isso, devemos nos aproximar dele com confiança.

No cap 9, lembramos do ensino bíblico de que a vida é um deserto. E a maneira como reagimos quando o calor aumenta mostra quem somos e o que, então, devemos tratar em nós mesmos. Ficamos irritados? Tentamos jogar a culpa em alguém? Duvidamos da bondade de Deus? As respostas as essas perguntas revelam onde Deus quer nos tratar nisso tudo.

Vc é um espinheiro ou uma árvore frutífera na sua caminhada cristã? Eu e você precisamos responder, diante de Deus, esta pergunta.

A verdade é que colocamos a culpa dos nossos erros e pecados numa fonte fora de nós: o outro, a família, a sociedade etc. Encarar que não somos responsáveis pelo mal que nos fizeram, mas somos responsáveis pela maneira como reagimos a esse mal é fundamental para atingirmos o ponto que realmente importa: o nosso coração.

O capítulo 10 me lembrou muita coisa. Uma delas é quando abrimos mão de um apartamento, porque não queríamos amar mais a bênção de Deus do que o Deus da bênção. A sessão final do capítulo com as perguntas para autoconfrontação é muito boa. Também gostei de ver que caímos nos mandamentos de 4–10, porque, na verdade, já caímos antes nos 1–3.

Se queremos uma vida cristã saudável e que isso se reflita em casa, na família e na igreja precisamos levar este livro muito a sério. Assim, seguiria a orientação que os autores dão ao final do livro: o estudaria com meus companheiros de caminhada. E assim como disse antes, é um livro que, por meio de tantas histórias e perguntas, serve para nós, porém se torna também um precioso auxílio no tratamento do outro, do meu aconselhado.

Eu já havia lido o “Guerra de palavras”, que é muitíssimo bom também. Quando ele relembra a carta de Tiago no “”Como as pessoas mudam”, na hora lembrei do “Guerra de palavras”, que é um livro que, em seus capítulos, também traz muitas perguntas para trabalharmos com o nosso próprio coração e juntamente com outros. Não foram só a estrutura e as perguntas de “Como as pessoas mudam” que me lembraram o “Guerra de palavras”, mas as histórias da família dele (que eu acho que só pode ser do Tripp). Não posso negar que achei graça das situações que ele enfrenta na casa dele com a esposa e os filhos.

Tenho investido no aconselhamento com líderes indígenas cristãos e suas famílias. Por isso, este livro me ajudará demais como bússola para chegar lá. As culturas indígenas, como a maioria das culturas existentes no mundo, não são de abordagem direta, abrdagem de “toma a pergunta e me entrega a resposta”. São culturas de não confrontação, não resolução direta dos seus problemas. A abordagem, o método é outro, porque o sistema de pensamento é outro. Na verdade, é um sistema de pensamento mais próximo ao bíblico do que o que encontramos em parte da cultura brasileira e em parte da Ocidental. “Como as pessoas mudam” oferece princípios e caminhos que devo trilhar e adaptar no meu contexto de trabalho transcultural. Todavia, embora a cultura seja diferente, “a fábrica de ídolos”, que é o coração de todo homem em quaisquer culturas, é comum a todos nós.

Tenho lido muitos livros de aconselhamento e todos os que li lançam essa luz sobre irmos ao ponto, assim como a Bíblia o faz: o coração. Outros livros, então, que também citaria é o “Aconselhamento Redentivo”, do Rev Wadislau Gomes e o “Manual do Aconselhamento Redentivo”, do do Jônatas Abdias. Ambos cheios de histórias, casos concretos, perguntas e que apresentam roteiros que nos auxiliam nesse processo de saber onde, afinal, queremos chegar. Ainda farei resenhas desses livros e postarei por aqui.

                Fábio Ribas

                        

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