Por que apresentar o livro “O mundo em desordem”? Porque muitas das nossas discussões bíblicas, teológicas ou sobre fé e prática cristãs quase sempre se dão de dentro dessa gaiola cultural maniqueísta “Esquerda X Direita”.
E o que a Igreja tem com tudo isso? Bem, muitas vezes, nem participamos das discussões, porque “política e igreja não se misturam”. Assim, desperdiçamos a grande oportunidade de não sermos manipulados por quaisquer desses sistemas, até mesmo por não percebemos o que eles são de fato e o que subjaz nas estruturas mais profundas de cada um.
O maniqueísmo esquerda-direita, gaiola dentro da qual muitos discutem teologia, tende a camuflar as duas grandes e reais questões filosóficas que estão em jogo e em tensão constante: Liberdade X Igualdade — eixo central do livro que apresento hoje aqui.
É impossível — sob pena de negligenciarmos aquilo que é de nossa responsabilidade espiritual (Mt 25: 14 -30) — o cristão querer passar ao largo dessas duas questões que, veja bem, estão entranhadas na mensagem do Reino de Deus e, por isso mesmo, são tão mal compreendidas à luz de uma exegese correta e saudável dos textos bíblicos em que aparecem. Não é de admirar que os cristãos no correr da história tenham sido usados como carga de canhão ora por um grupo, ora por outro, mas, muitas vezes, sem conseguir apresentar a proposta inovadora e conciliadora entre esses dois pontos, a saber: a fraternidade humana, que só é possível em Cristo Jesus, uma fraternidade que ainda não é plena, mas já é sombra de um por vir glorioso!
A fraternidade da Igreja de Jesus, que precisa ser anunciada em todo o mundo pela pregação do Evangelho, não anula as nossas diferenças individuais. Além do mais, a fraternidade oferecida por Jesus não se assemelha a qualquer proposta que o Estado ou um sistema econômico possa oferecer. Antes, a fraternidade evangélica nos alça à condição de iguais entre nós e de reconciliados com Deus para, enfim, exercermos no lugar em que cada irmão se encontra a liberdade responsável que nos foi conquistada na Cruz de Cristo!
Falo, portanto, da solidariedade em Cristo, por Cristo e para Cristo! — pérola de infinito valor e que nenhum esquema religioso, econômico, político, ideológico e estatal pode oferecer ou substituir!
Aos cristãos que vivem a vida como ela é, gostaria de indicar este primeiro livro de uma trilogia (na verdade, atualizando este texto, há apenas mais um livro, mostrando que o projeto inicial de "trilogia" não foi adiante) e que você pudesse comprá-lo e dar de presente a si mesmo e, principalmente, ao seu pastor (e/ou liderança, mentor, pai, padre, rabino, etc), ao professor de Escola Dominical da sua Igreja e — por que não? — ao professor de história do seu filho na escola ou na faculdade.
É com carinho e com expectativa de ótimas reflexões sobre nossas vidas pessoais que indico a leitura desse livro do Demétrio e da Elaine Senise Barbosa. Livro que se apresenta como um ótimo ponto de partida para relermos a História — e, no nosso caso, relermos também nossas teologias, sistemas de crenças e a nossa prática cristã — fora da gaiola cultural em que nossos discursos se veem presos. A proposta do livro é a mesma que trago para cada um de nós: reexaminar o que somos, pensamos, cremos e praticamos à luz dos temas da liberdade e da igualdade.
Este livro segue a história desde 1914–1945. Com isso, acompanhamos as razões das duas Grandes Guerras Mundiais do século XX, a Grande Depressão, o surgimento do Nazismo, a Revolução Russa e o crescimento do stalinismo. Vemos o posicionamento do Brasil diante desses acontecimentos, Getúlio Vargas e, o que para mim foi delicioso, um capítulo só sobre a arte e a cosmovisão por trás da construção de Brasília. A leitura é fascinante!
Fábio Ribas
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