sábado, 30 de maio de 2026

Pregação na Pós-Modernidade: como ser biblicamente fiel e culturalmente relevante (Zac Eswine)


“Beleza é a deslumbrante exibição da verdade e da bondade de Deus refletidas na glória e na santidade de sua pessoa e obra, na encarnação e no mundo criado. A beleza é o que atrai em Deus; a beleza é o que arrebata os olhos do coração ao contemplar Cristo pela fé mediante a Palavra” (T. Chris Cain, “Turning the Beast into Beauty: Towards an Evangelical Theological Aesthetics”, Presbyterion: Covenant Seminary Review 29, n. 1 (2003), p. 28. Citado em: Eswine, Zack).

    Logo na introdução, o autor me arrebatou com a seguinte pergunta: “eu conseguiria agora alcançar com o evangelho aquele que um dia eu já fui?”. E o autor a introduz dizendo que ele é cristão, pastor e professor de seminário. Eu também, mas acrescentaria que sou missionário. E sei que, na condição de missionário, tenho sido preparado ao longo das décadas para trabalhar com culturas muito diferentes da minha. Contudo, lendo este livro de Zac Eswine, e outros semelhantes de autores americanos, compreendo que a minha cultura está bem mais próxima de dialogar com culturas da pós-modernidade, do que deve ser para uma cultura da América do Norte. Em outras palavras, li o livro de Zac vendo que o pregador brasiliero já está muito mais adequado ao que o autor quer propor do que a cultura americana. 

    Ler esse livro nessa perspectiva é muito interessante, pois há anos ouço como que “os povos” aí fora gostam de missionários brasileiros entre eles. E a resposta fica patente ao lermos “Pregação na Pós-modernidade”. Todavia, não sou ingênuo a ponto de pensar que na América não há pregadores já muito abertos às propostas do livro, assim como sei também que no Brasil há muitos pregadores (e missionários) que precisam ler este livro. Não nego, porém, que o, li com aquela sensação de “mas essa homilética é para todas as eras e não só para minha geração pós-moderna”!  Enfim, um livro enriquecedor que todo seminarista e missionário deve ler.

    Voltemos à pergunta que me arrebatou, pois a li num sábado e a fiquei remoendo dentro de mim. No dia seguinte, pela manhã, aconteceu de perceber que Deus estava me preparando para um encontro com um rapaz seminarista católico que veio visitar a minha igreja. Não tinha como fugir, pois eis eu ali, bem diante de mim, o meu eu de mais de três décadas atrás estava bem ali diante de mim. Como apresentar o evangelho hoje da mesma maneira graciosa e amorosa com que me apresentaram naquele tempo? Não existem coincidências para quem caminha com Deus. Deus queria que eu enfrentasse essa pergunta.

    O livro de Zac está dividido em um prefácio de Emilio Garofalo, além de um outro prefácio à edição brasileira, seguidos de dezesseis capítulos e dois apêndices. No prefácio de Bryan Chapell, vemos que o livro vem na onda do retorno do tema da pregação cristocêntrica, sem, contudo, disperdiçar a pessoa de seu próprio pregador. Em outras palavras, regamos nossa pregação como “pessoas quem tem testemunho pessoal da graça de Cristo”. E não apenas isso, mas devemos subir aos púlpitos sob a responsabilidade de termos uma herança missionária por trás de nós.

    Logo na introdução, fui desafiado a me perguntar no que é preciso saber para sermos salvos? O autor mostra a delicadeza do assunto em nossa complexidade cultural, lembrando do exemplo de Collins e Anne Rice:

Em seu livro A linguagem de Deus, Collins escreve: “O Deus da Bíblia é também o Deus do genoma”. Collins acredita na evolução e num planeta com quinze bilhões de anos. No entanto, quando lhe perguntaram se acredita no nascimento a partir de uma virgem, Collins responde inequivocamente: “Eu creio!”. Ele defende os milagres da Bíblia e a ressurreição corporal de Jesus Cristo. Collins é cristão.

Da mesma maneira, Anne Rice, famosa autora de romances sobre vampiro e notável ateia, tornou-se uma seguidora de Jesus. Embora ela ainda seja socialmente liberal em questões como a homossexualidade, tornou-se uma cuidadosa e consciente defensora da Bíblia, particularmente da historicidade dos Evangelhos e da veracidade de suas afirmações sobre quem é Jesus.

    No Brasil, nos deparamos atualmente com a mesma tensão. Em algumas igrejas essa tensão é maior e em outras menor. A pós-modernidade nos dá esse leque de pessoas e sua fé pessoal que nem sempre coaduna com nossos credos, símbolos de fé e confissões, mesmo tendo elas como membros comungantes em nossas igrejas locais. Vivemos num mundo anunciado a nós desde a década de 1960: somos seres de planetas diferentes vivendo dentro de uma mesma Interprise, sendo que muitos nessa espaçonave são cristãos! Como alcançar pessoas tão independentes, diferentes e autossuficientes assim? Crentes e descrentes, essas pessoas estão na nave e, então, como nos comunicar com elas?  Como nos diz o autor, ainda na introdução:

Muitos de nós estão sendo forçados a lembrar que alguém pode ser inconsistente na doutrina (como muitos em nosso meio), errar em algumas coisas (como todos nós) e, ainda assim, seguir verdadeiramente a Jesus, um passo de cada vez. A santificação é um processo.

    Quero apenas dar um resumo dos temas que você encontrará neste livro de Zac Eiswine, para animar o leitor a se dedicar nessa leitura desafiadora.  

    Zac Eiswine irá voltar seus olhos não para a cultura pós-moderna, mas para a pessoa do pregador. Ele defenderá a importância de sermos pregadores autenticos e, sendo assim, não temermos mostrar nossa fragilidade e vulnerabilidade à nossa geração. Precisamos ir ao encontro do nosso público sabendo quem eles são. Portanto, precisamos contextualizar nossa comunicação aproveitando tanto as narrativas e as ficções que temos na cultura, para aplicar melhor na vida real dos nossos ouvintes. Precisamos de capital literário! O pregador contextualizado será aquele que apostará mais numa homilética narrativa, sabendo ele que seu público precisa de uma mensagem compassiva e não moralista. Precisamos, então, compreender a arte da narrativa. Nossa pregação narrativa precisa se comunicar com a fé, esperança e amor das pessoas, trazê-las para a compreensão da fé, esperança e amor bíblicos até o ponto de ressurreição! Sim! A pregação deve apresentar a ressurreição possível aos pecadores mortos em seus delitos e pecados!

    Devemos ser pregadores em dois mundos: tradição e inovação. Aqui, ele está falando da necessidade de trazermos em nossa homilética a riqueza do passado, mas saber aplicá-la nos novos contextos. Uma pregação nostálgica e redentiva. Todos somos tradutores! Não apenas os missionários que estão trabalhando com outros povos e traduzindo para outras línguas o texto bíblico, mas o pregador deve fazer o mesmo com seu público dentro de sua cultura e língua (estamos numa Interprise, lembra?). Assim, precisamos usar nossa voz profética para proclamar a verdade. Precisamos usar a nossa voz sacerdotal para pastorear nossas ovelhas. Precisamos usar nossa voz de sabedoria para compreender e se comunicar com a cultura. Somos pregadores tradutores!

    Semelhante ao apóstolo Paulo, temos diante de nós um público de igrejados culturalmente, mas temos um grupo de igrejados confusos e de pessoas totalmente alienadas da verdade bíblica. Ao pregarmos, precisamos lembrar dessas diferenças diante de nós. Não precisamos temer em demonstrar para a geração pós-moderna, avessa ao moralismo e cansada de hipocrisia, nossa vulnerabilidade sacerdotal. Precisamos mostrar que há realmente textos difíceis na Bíblia e o autor irá demonstrar como que, por exemplo, devemos encaixar os textos de guerra e violência bíblicos dentro de seus contextos metanarrativos. Deus foi quem colocou esses textos lá e precisamos mostrar que a violência não é uma justificativa para hoje sermos violentos, mas serviu a um propósito divino naquele tempo. Além disso, precisamos enfrentar nossas próprias ideias idólatras em nós e na cultura. Do contrário, se não enfrentarmos, como daremos conta da homilética satânica? Satanás também prega. Ele corrompe a verdade, manipula o discurso e semeia a mentira e o homicídio. Pregamos diante dessa realidade espiritual.

    Neste ponto, o autor precisa dizer o óbvio: nossa homilética deve ser totalmente dependente do Espírito Santo! Contudo, preciso dizer que foi no último capítulo do livro que, então, fiquei totalmente arrebatado. O capítulo final falou muitíssimo comigo! Concordo com tudo o que está ali em gênero, número e grau. Identifiquei-me e me vi satisfeito naquelas palavras. Falou de algo que me é muito caro: monastério/solitude! E a linguagem propícia para aquele que se refugia em Deus em meio ao caos pós-moderno é a linguagem do Espírito Santo. Precisamos conversar mais com Ele. Gastar um tempo proposital no silêncio e na fuga e sermos, desta maneira, alimentados e saciados pela presença de Deus em nós: fugirmos para o monte em meio à madrugada. Não é um escapismo, mas é uma fuga necessária em tempos de excessos de imagens, compromissos e velocidades. É preciso que nos encontremos com o Deus dos poetas, o mesmo Deus que prega é o mesmo Deus que nos escreveu e nos deu seus poemas, lembra-nos Zac Eiswine.

A linguagem divina tem esse poder. Cristo Jesus tem essa autoridade. O propósito da linguagem, pois, é a glória de Deus em Cristo, em direção à cura substancial de sua criação, até que ele venha. Os ministros, cujo trabalho é a linguagem e a presença, dedicam-se por vocação a tal propósito. Os poetas podem nos ajudar em nossa vocação porque poemas e sermões têm alvos semelhantes — criar e “preservar uma imagem verdadeira da vida”.

    Quero encerrar deixando um dos textos e música mais caros para mim por todos estes longos anos de vida missionária. Espero que, de alguma maneira, venha a significar para você o que tem significado para mim. Lembrei-me do texto abaixo, exatamente quando estava lendo o último capítulo. Foi uma postagem que fiz em 2011! Essa postagem, num antigo blog, tinha como título: "Porque um dia Ele me encontrou"... 

A águia voa sozinha, os corvos voam em bando, 
o tolo tem necessidade de companhia,
e o sábio necessidade de solidão.
Friedrich Rückert


    Porque, um dia, Ele invadiu a minha tola, pequenina e fugaz existência, declarando: "Eu sou o teu Deus e  você é minha propriedade exclusiva para proclamar as minhas virtudes", faço, então, da bela música abaixo - letra e melodia - a minha sincera devoção de amor a Ele, que é o meu lugar de descanso (Fábio Ribas).



Ich bin der Welt abhanden gekommen,
Eu me tornei estranho para o mundo
Mit der ich sonst viele Zeit verdorben,
com o qual perdi outrora tanto tempo; 
Sie hat so lange nichts von mir vernommen,
faz muito que não ouve a meu respeito
Sie mag wohl glaubern ich sei gestorben!
que pode mesmo achar que já morri.
Es ist mir auch gar nichts daran gelegen,
Para mim é de todo indiferente
Ob sie mich für gestorben hält.
que ele me trate como fosse morto.
Ich kann auch gar nichts sagen dagegen,
Nada posso dizer contrário a isso
Denn wirklich bin ich gestorben der Welt.
pois de fato morri para este mundo.

Ich bin gestorben dem Weltgetümmel
Estou bem morto para o seu tumulto
Und ruh’ in einem stillen Gebiet!
e descanso num lugar de quietude.
Ich leb’ allein in meinem Himmel,
Sozinho vivo no meu paraíso,
In meinem Lieben, in meinem Lied
no meu amor, nas notas do meu canto.

Friedrich Rückert:  Ich bin der Welt abhanden gekommen
Gustav Mahler - música

Tradução de Ivo Barroso

                Fábio Ribas

terça-feira, 26 de maio de 2026

A família entre a bênção e a maldição (Rev Rogério Cunha da Silva)

“Antes de se casar e constituir uma família, é de fundamental importância conhecer sobre o compromisso que será feito diante de Deus e dos homens. Isso é mais importante do que uma aliança de ouro” (p. 29).

    O livro instigante do Rev Rogério Cunha da Silva tem ainda como subtítulo: “As implicações familiares da Teologia do Pacto a partir de Samuel I-III”. O livro foi lançado Editora João Calvino Publicações. Pensando nos inúmeros ataques à família cristã e também à falta de zelo de nossa geração ao que a Bíblia diz sobre a vontade de Deus sobre a família, o livro do Rev Rogério chega num momento importantíssimo para ajudar no crescimento e amadurecimento da Igreja Reformada no Brasil.

        Mas qual a relação entre "família" e "Pacto"?  Para responder a essa pergunta inicial, o autor mostrará o significado de "família" e o de "pacto", para, então, estabelecer a relação entre ambos. A família é criação de um Deus pactual (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, a família reflete essa mesma relação pactual intratrinitaria: o pai, a mãe e os filhos têm suas funções dentro de casa e na sociedade. Bem... Pelo menos, assim deveria ser. Todos os seres humanos da face da terra, crentes e descrentes, estamos todos debaixo de um Pacto que foi quebrado por Adão, por isso estamos debaixo da maldição do pecado e condenados à Ira de Deus. As exigências daquele pacto continuam e, por isso mesmo, continuam nos condenando. Porém, somente em Cristo, no pacto da graça, podemos ter uma família resgatada para a glória de Deus. Não apenas Deus estabeleceu a família, mas determinou como essa deve ser: uma família que o glorifique e que abençoe a comunidade. Para tratar do pacto e de suas bênçãos e maldições o autor, no decorrer do livro, trabalhará a partir de duas famílias bíblicas: a de Elcana e a de Eli.
 
    Particularmente, a palavra "legado" é uma dessas palavras que eu sinto profunda antipatia, quando a ouço usada nos púlpitos ou por líderes na Igreja. Ela carrega algo muito antropocêntrico na maioria dos discursos em que ela aparece. E ela apareceu aqui no livro do Rev Rogério, em seu segundo capítulo. Todavia, pela primeira vez, vi essa palavra encaixada num contexto corretíssimo, que a arranca do centro do coração de quem a usa e a enquadra no contexto do pacto. Perfeito! Então, vamos lá: qual o legado que você quer deixar? O de ver meus filhos usados por Deus para a glória dEle e para a proclamação da história da Redenção. Que o nosso legado seja pactual!
 
    Em seu terceiro capítulo, intitulado "A obediência ou desobediência dos pais reverberam nos filhos", somos desafiados à responsabilidade de oferecermos uma educação escriturística aos nossos filhos, mas, primeiramente, à luz de nossa própria obediência ao Pacto como pais. O meu desejo mais sincero, em meio a este mundo tão mal, é que as famílias conhecessem a Jesus como seu único e suficiente Salvador e Senhor. Quando Jesus chegou na minha vida, três certezas foram plantadas, na mesma hora, em meu coração: 1) que eu falaria de Jesus para povos de outras culturas; 2) que eu casaria com uma mulher que fosse totalmente de Jesus; 3) que eu construiria uma família que eu mesmo não tive: uma família aos pés da cruz! Vivi por essas 3 verdades. Definitivamente, a família é um projeto missionário para a glória do Senhor! Não tenho a menor dúvida disso. E, uma vez convencidos disso pela Palavra, não criaremos nossos filhos para atender as demandas de um mundo perdido, mas para que nossos filhos sejam sal e luz em sua geração perversa.
 
    No quarto capítulo, "A família é rejeitada quando despreza as normas pactuais", a grande pergunta despertada neste capítulo é: o pai, como sacerdote do lar, tem investido em ensinar aos seus filhos o verdadeiro culto ao Senhor? A Bíblia fala de líderes que erraram em suas famílias e, por causa disso, seus filhos sofreram as consequências dessa falta de zelo de seus pais pela santidade. Além de Eli, podemos lembrar do Rei Davi e as consequências tenebrosas que vieram sobre sua casa. Entretanto, o maior ensino e desafio proposto neste capítulo é que a família é o lugar de aprendizado sobre o culto verdadeiro. É em casa que ensinamos nossos filhos a zelarem e amarem o culto bíblico em nossas igrejas. Em outras palavras, nossa família é um campo missionário. Leia I Timóteo 5:1-2.
 
    "Um pai exortando de forma ineficaz" é o quinto capítulo. Evidentemente, enquanto lia este capítulo maravilhoso, meu coração se encheu de temor. Pensei em muitas coisas. Pensei na minha família. Pensei nas famílias dos missionários espalhados pela terra. Pensei nos filhos, nas esposas e nos pais das famílias missionárias. Eli errou, mas nenhum erro é apenas pontual. É um processo. Assim como vemos tão bem no Rei Davi, o adultério, o assassinato e a destruição de um ministério, que, até então, glorificava a Deus. Ali, foi um passo de cada vez. Aconteceu o mesmo com Eli. No fim do capítulo, o autor finalmente toca numa questão que ficou remoendo meu coração durante toda a leitura: a responsabilidade da Igreja com a família do seu pastor! Até que ponto as famílias da igreja local não só se esforçam em se deixar pastorear por seus líderes, mas também em cuidar da família deles? As famílias dos presbíteros zelam mesmo pela saúde espiritual da família de seus pastores? Quando a família do líder cai, toda a igreja deve assumir sua responsabilidade nessa queda também. Afinal, essa responsabilidade uns pelos outros está no centro da Teologia do Pacto.
 
    Neste próximo capítulo, "O julgamento da família desobediente", duas palavras são importantes: privilégio e responsabilidade. Privilégio é reconhecer a graça maravilhosa e imerecida da eleição de Deus sobre nós. Responsabilidade é nos perguntar: "Sim, fomos eleitos, mas quais as implicações disso?". Reconhecer a graça maravilhosa e imerecida de Deus sobre nossa casa exige uma vida de obediência como resposta! "Como agradecer pelo bem que Deus tem feito a mim?", diz a canção. E a nossa resposta deve ser “vivendo para a glória dEle, assumindo as responsabilidades com minha família”. Vivemos numa geração que gosta muito de propagar que Deus nos escolheu para sermos profetas, reis e sacerdotes, porém, ninguém prega sobre quais as responsabilidades práticas na família quanto a isso. Este capítulo fala exatamente sobre esse tema! As bênçãos da obediência e as maldições da negligência. Temos, contudo, um Deus misericordioso. Corramos sempre a Ele. Eli não apelou à misericórdia de Deus. Eu e minha família apelamos! Ensine a Teologia do Pacto na sua casa! Bênção sobremaneira!
 
    No sétimo capítulo, "A família obediente é abençoada nos termos do Pacto", o foco recai sobre a família de Elcana, a família abençoada do Senhor. Mas por que abençoada? Porque era uma família eleita e que, agradecidos pela graça imerecida, amava mais ao Deus das bênçãos do que às bênçãos de Deus. Aqui, o papel de Ana é fundamental, mas o de Elcana também, pois, apesar da secura espiritual de seu tempo, manteve-se fiel levando sua família à Casa do Senhor. Estamos diante de uma família que obedeceu, porque era, verdadeiramente, uma família do Pacto. Você sabe qual é o melhor e mais importante projeto que uma família do Pacto pode e deve se envolver? Criar filhos para glorificarem a Deus. Esta é a razão dos pais existirem! Se é que, de fato, fomos convencidos dessa verdade, ela terá o poder de virar de cabeça para baixo as prioridades da nossa casa, não é? Hoje, por causa deste capítulo, orei pelas minhas filhas de um modo todo especial: agradecido ao Deus que nos sustentou até aqui e maravilhado pela história que Ele escreveu para que sua glória brilhasse em nossa casa. Faça o mesmo: ore pela sua família!
 
    O último capítulo foi perfeito. Retomou os principais pontos tratados e esclareceu possíveis dúvidas. A Teologia do Pacto é bela, pois trata de salvação e de santificação. Ambas são frutos de uma intervenção divina na vida do eleito. Então, andarmos em novidade de vida é fruto de um Deus que começou a sua boa obra em nós e nos levará ao seu bom termo. Enquanto lia a parte final do livro, o tempo todo ressoava em minha mente: Efésios 1:4 ARA:  "...assim como nos escolheu, nele (em Jesus), antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele...". O livro vem nos lembrar disso. Fomos salvos para sermos santos e irrepreensíveis! Esta será a resposta de amor e gratidão do crente e de sua família ao Deus da maravilhosa graça que nos alcançou. Viver para isso trará bênçãos, agora, rejeitar a Cristo e ao seu sacrifício trará maldição sobre nossa vida e família. Este é o verdadeiro Evangelho. Esta é a graça, a verdadeira graça de Deus! Cresçamos!

                            Fábio Ribas

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