terça-feira, 26 de maio de 2026

A família entre a bênção e a maldição (Rev Rogério Cunha da Silva)

“Antes de se casar e constituir uma família, é de fundamental importância conhecer sobre o compromisso que será feito diante de Deus e dos homens. Isso é mais importante do que uma aliança de ouro” (p. 29).

    O livro instigante do Rev Rogério Cunha da Silva tem ainda como subtítulo: “As implicações familiares da Teologia do Pacto a partir de Samuel I-III”. O livro foi lançado Editora João Calvino Publicações. Pensando nos inúmeros ataques à família cristã e também à falta de zelo de nossa geração ao que a Bíblia diz sobre a vontade de Deus sobre a família, o livro do Rev Rogério chega num momento importantíssimo para ajudar no crescimento e amadurecimento da Igreja Reformada no Brasil.

        Mas qual a relação entre "família" e "Pacto"?  Para responder a essa pergunta inicial, o autor mostrará o significado de "família" e o de "pacto", para, então, estabelecer a relação entre ambos. A família é criação de um Deus pactual (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, a família reflete essa mesma relação pactual intratrinitaria: o pai, a mãe e os filhos têm suas funções dentro de casa e na sociedade. Bem... Pelo menos, assim deveria ser. Todos os seres humanos da face da terra, crentes e descrentes, estamos todos debaixo de um Pacto que foi quebrado por Adão, por isso estamos debaixo da maldição do pecado e condenados à Ira de Deus. As exigências daquele pacto continuam e, por isso mesmo, continuam nos condenando. Porém, somente em Cristo, no pacto da graça, podemos ter uma família resgatada para a glória de Deus. Não apenas Deus estabeleceu a família, mas determinou como essa deve ser: uma família que o glorifique e que abençoe a comunidade. Para tratar do pacto e de suas bênçãos e maldições o autor, no decorrer do livro, trabalhará a partir de duas famílias bíblicas: a de Elcana e a de Eli.
 
    Particularmente, a palavra "legado" é uma dessas palavras que eu sinto profunda antipatia, quando a ouço usada nos púlpitos ou por líderes na Igreja. Ela carrega algo muito antropocêntrico na maioria dos discursos em que ela aparece. E ela apareceu aqui no livro do Rev Rogério, em seu segundo capítulo. Todavia, pela primeira vez, vi essa palavra encaixada num contexto corretíssimo, que a arranca do centro do coração de quem a usa e a enquadra no contexto do pacto. Perfeito! Então, vamos lá: qual o legado que você quer deixar? O de ver meus filhos usados por Deus para a glória dEle e para a proclamação da história da Redenção. Que o nosso legado seja pactual!
 
    Em seu terceiro capítulo, intitulado "A obediência ou desobediência dos pais reverberam nos filhos", somos desafiados à responsabilidade de oferecermos uma educação escriturística aos nossos filhos, mas, primeiramente, à luz de nossa própria obediência ao Pacto como pais. O meu desejo mais sincero, em meio a este mundo tão mal, é que as famílias conhecessem a Jesus como seu único e suficiente Salvador e Senhor. Quando Jesus chegou na minha vida, três certezas foram plantadas, na mesma hora, em meu coração: 1) que eu falaria de Jesus para povos de outras culturas; 2) que eu casaria com uma mulher que fosse totalmente de Jesus; 3) que eu construiria uma família que eu mesmo não tive: uma família aos pés da cruz! Vivi por essas 3 verdades. Definitivamente, a família é um projeto missionário para a glória do Senhor! Não tenho a menor dúvida disso. E, uma vez convencidos disso pela Palavra, não criaremos nossos filhos para atender as demandas de um mundo perdido, mas para que nossos filhos sejam sal e luz em sua geração perversa.
 
    No quarto capítulo, "A família é rejeitada quando despreza as normas pactuais", a grande pergunta despertada neste capítulo é: o pai, como sacerdote do lar, tem investido em ensinar aos seus filhos o verdadeiro culto ao Senhor? A Bíblia fala de líderes que erraram em suas famílias e, por causa disso, seus filhos sofreram as consequências dessa falta de zelo de seus pais pela santidade. Além de Eli, podemos lembrar do Rei Davi e as consequências tenebrosas que vieram sobre sua casa. Entretanto, o maior ensino e desafio proposto neste capítulo é que a família é o lugar de aprendizado sobre o culto verdadeiro. É em casa que ensinamos nossos filhos a zelarem e amarem o culto bíblico em nossas igrejas. Em outras palavras, nossa família é um campo missionário. Leia I Timóteo 5:1-2.
 
    "Um pai exortando de forma ineficaz" é o quinto capítulo. Evidentemente, enquanto lia este capítulo maravilhoso, meu coração se encheu de temor. Pensei em muitas coisas. Pensei na minha família. Pensei nas famílias dos missionários espalhados pela terra. Pensei nos filhos, nas esposas e nos pais das famílias missionárias. Eli errou, mas nenhum erro é apenas pontual. É um processo. Assim como vemos tão bem no Rei Davi, o adultério, o assassinato e a destruição de um ministério, que, até então, glorificava a Deus. Ali, foi um passo de cada vez. Aconteceu o mesmo com Eli. No fim do capítulo, o autor finalmente toca numa questão que ficou remoendo meu coração durante toda a leitura: a responsabilidade da Igreja com a família do seu pastor! Até que ponto as famílias da igreja local não só se esforçam em se deixar pastorear por seus líderes, mas também em cuidar da família deles? As famílias dos presbíteros zelam mesmo pela saúde espiritual da família de seus pastores? Quando a família do líder cai, toda a igreja deve assumir sua responsabilidade nessa queda também. Afinal, essa responsabilidade uns pelos outros está no centro da Teologia do Pacto.
 
    Neste próximo capítulo, "O julgamento da família desobediente", duas palavras são importantes: privilégio e responsabilidade. Privilégio é reconhecer a graça maravilhosa e imerecida da eleição de Deus sobre nós. Responsabilidade é nos perguntar: "Sim, fomos eleitos, mas quais as implicações disso?". Reconhecer a graça maravilhosa e imerecida de Deus sobre nossa casa exige uma vida de obediência como resposta! "Como agradecer pelo bem que Deus tem feito a mim?", diz a canção. E a nossa resposta deve ser “vivendo para a glória dEle, assumindo as responsabilidades com minha família”. Vivemos numa geração que gosta muito de propagar que Deus nos escolheu para sermos profetas, reis e sacerdotes, porém, ninguém prega sobre quais as responsabilidades práticas na família quanto a isso. Este capítulo fala exatamente sobre esse tema! As bênçãos da obediência e as maldições da negligência. Temos, contudo, um Deus misericordioso. Corramos sempre a Ele. Eli não apelou à misericórdia de Deus. Eu e minha família apelamos! Ensine a Teologia do Pacto na sua casa! Bênção sobremaneira!
 
    No sétimo capítulo, "A família obediente é abençoada nos termos do Pacto", o foco recai sobre a família de Elcana, a família abençoada do Senhor. Mas por que abençoada? Porque era uma família eleita e que, agradecidos pela graça imerecida, amava mais ao Deus das bênçãos do que às bênçãos de Deus. Aqui, o papel de Ana é fundamental, mas o de Elcana também, pois, apesar da secura espiritual de seu tempo, manteve-se fiel levando sua família à Casa do Senhor. Estamos diante de uma família que obedeceu, porque era, verdadeiramente, uma família do Pacto. Você sabe qual é o melhor e mais importante projeto que uma família do Pacto pode e deve se envolver? Criar filhos para glorificarem a Deus. Esta é a razão dos pais existirem! Se é que, de fato, fomos convencidos dessa verdade, ela terá o poder de virar de cabeça para baixo as prioridades da nossa casa, não é? Hoje, por causa deste capítulo, orei pelas minhas filhas de um modo todo especial: agradecido ao Deus que nos sustentou até aqui e maravilhado pela história que Ele escreveu para que sua glória brilhasse em nossa casa. Faça o mesmo: ore pela sua família!
 
    O último capítulo foi perfeito. Retomou os principais pontos tratados e esclareceu possíveis dúvidas. A Teologia do Pacto é bela, pois trata de salvação e de santificação. Ambas são frutos de uma intervenção divina na vida do eleito. Então, andarmos em novidade de vida é fruto de um Deus que começou a sua boa obra em nós e nos levará ao seu bom termo. Enquanto lia a parte final do livro, o tempo todo ressoava em minha mente: Efésios 1:4 ARA:  "...assim como nos escolheu, nele (em Jesus), antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele...". O livro vem nos lembrar disso. Fomos salvos para sermos santos e irrepreensíveis! Esta será a resposta de amor e gratidão do crente e de sua família ao Deus da maravilhosa graça que nos alcançou. Viver para isso trará bênçãos, agora, rejeitar a Cristo e ao seu sacrifício trará maldição sobre nossa vida e família. Este é o verdadeiro Evangelho. Esta é a graça, a verdadeira graça de Deus! Cresçamos!

                            Fábio Ribas

A família entre a bênção e a maldição (Rev Rogério Cunha da Silva)

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