Por que manter uma ordem cronológica dos textos? A maioria das ideias foi amadurecendo com o passar dos anos e com as muitas leituras que fazia. E gostaria que os leitores percebessem isso. À medida que refletia sobre os livros que lia e aquilo que via, ouvia e vivia, pude ver como que a Palavra de Deus confrontava o modus operandi e a teologia que eu vinha encontrando no mundo missionário.
Falei em ordem cronológica dos textos, mas sei que trouxe os “textos primordiais” para o fim do ebook. Foram aqueles textos que, entre 2009 e 2010, surgiram das primeiras reflexões sobre o campo missionário. Era um tempo de ouro em todos os sentidos para mim. Ali, eu passava um mês na aldeia e 15 dias na cidade, que era quando, nesses retornos, eu lia a revista Ultimato e escrevia sobre tudo aquilo que estava me incomodando naqueles artigos de uma revista “evangélica”. Tudo era novo para mim, principalmente, acredite eu, por não ter nascido num lar evangélico, não ter sido criado em igreja e nem ser de tradição presbiteriana e reformada. O que eu quero dizer com isso? Eu não sabia, naqueles primeiros textos que estava escrevendo, quem eram aqueles autores e nem sabia o que eles mandaram para muitos nichos dentro da Igreja Evangélica Brasileira. Devo confessar que essa ignorância me ajudou muito, porque não escrevia “contra pessoas”, mas contra aquelas ideias exclusivamente. Sem saber, estava colocando minhas mãos em luva de formiga tucandeira. A ponto de me perguntarem se eu queria parar de receber a Revista Ultimato. Mas não era nada disso. Estava apenas conhecendo uma “grande comissão” que eu não fazia ideia que existia: pragmática, esquerdista e revolucionária. No início, os tais “escritos primordiais” foram publicados nos comentários do Ultimato online, mas a ocorrência foi tão raivosa, tão ensandecida, que abriu um blog para publicar os textos ali.
Depois dessa primeira fase, fui percebendo como aquela mentalidade não se restringia à revista Ultimato, mas era algo que tomava conta da Igreja Evangélica Brasileira. Percebi que não se restringia ao que chamavam de esquerda e de direita, mas era uma maneira de pensar, uma cosmovisão mesma, e ela poderia ser encontrada em qualquer lugar, em qualquer denominação, em faculdades e seminários etc. Assim, parei de escrever sobre os textos publicados nela. Então, fui lendo esse texto da vida do cotidiano nosso e respondendo a ele e não mais aos artigos da Ultimato, mostrando como ideias que são propostas tão “justas” que poderiam não ser bíblicas. Evidentemente, todos os textos são diálogos com a realidade em que vivi, os livros que lia, e comigo mesmo ou outras missões. É natural que, tentando fazer com que o leitor compreenda como nascem as reflexões, eu fale de mim mesmo. Assim, o leitor verá neste livro momentos de testemunho também, minha caminhada e da minha própria família. Caminhando no campo missionário, que me acostumei a sempre comparar como um terreno em que pisava sem saber onde se escondiam as minas. Caminhamos, por todos estes anos, como quem pisa sobre ovos.
Todos estes textos nasceram, antes de tudo, de preocupações pastorais e paternas. Minhas filhas viveram tudo isso comigo e com minha esposa. Nossas filhas viram e ouviram quando apenas eu e a Lu conversamos sobre estes textos, antes de colocá-los no papel. Assim, apresento estes textos como um pai, defendendo suas filhas dessa mentalidade revolucionária presente nas escolas, universidades, na Igreja e no mundo. É preciso que aprendamos a identificar o mal para que possamos pregar o bem. É necessário que possamos discernir o texto por trás do texto, aquilo que está no arcabouço do que nos falam e do que lemos. As poses! Os textos deste livro tentam cavar e achar as posições. Porque, afinal, por mais maravilhoso que seja a trajetória do sol, do nascente ao poente, é o giro da terra o responsável pela beleza do espetáculo!
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